quinta-feira, 4 de junho de 2009

"Deus quer, o homem sonha..."

“Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.”

Ponho uma citação no título e começo o meu post com outra por duas razões: a primeira é porque tem estilo. Dá a ideia de sermos eruditos ou até, quem sabe, videntes. Pelo menos, no jornal ‘Metro’ a vidente de serviço começa todas as suas previsões com uma citação... A segunda, é para justificar a minha resposta à “guerra” que dizem ser a nossa. Nós, cidadãos da Enorme Nação Benfiquista, estamos mais preparados para as desilusões que quaisquer outros adeptos. Não que seja uma questão de hábito, o que não é (por mais que venham argumentar com os últimos quatro anos dos mais de cem que contamos), mas sim pela nossa grandeza não permitir baixar os braços e a cabeça, impelindo-nos sempre a uma nova luta. Por mais que o digam, o Benfica é um Clube voltado para o futuro. Apenas utilizamos o passado para justificar a evidência que muitos querem negar. A nossa superior grandeza. O Real Madrid é um clube com uma grandeza inegavelmente superior à do Barça, e não é por actualmente o clube catalão ter a melhor equipa do mundo que se pode negar a superioridade madridista.

Mas voltando ao tema da “guerra” que iniciamos todos os anos por volta do fim de Maio, apenas iniciamos essa guerra porque estamos demasiado preocupados em preparar a próxima vitória para ficarmos a pensar na última derrota. Por isso iniciamos esta “guerra” no fim de Maio, e por isso somos voltados para o futuro.

A nossa grandeza é exactamente o que nos permite sonhar. Só o sonho nos permitiu as enormes vitórias do passado, e só o sonho nos permitirá voltar a semelhantes vitórias. Quando se vive demasiadamente preso na pequenez, em que o apego à realidade não permite sequer que a imaginação e o sonho se apodere um pouco de nós, o resultado é a eterna satisfação com o segundo lugar. “Para os meios disponíveis, é um excelente resultado.”. De facto os leões são pouco mais que gatinhos em ambição, chegando-lhes muito bem o leite que lhes deitam na taça todos os dias. Não querem carne. Chega-lhes o leitinho.

O Benfica é diferente. Pode cair muitas vezes, mas sempre se levanta e sonha com a próxima grande vitória. Por isso pensamos nos Robinhos, Tomassons e Luís Garcias, mas também por isso sonhamos com Aimars, Reyes e Suazos. Podem até argumentar com a sua irregularidade, mas essa é a parte imprevisível do futebol, e acuse-se aquele sportinguista que não se riu ao ver Aimar pela primeira apontado na rota do Benfica. Que se acuse aquele que não abriu a boca de espanto quando viu a confirmação da contratação. Que se acuse aquele que não temeu o Benfica quando a Aimar se juntou Reyes e Suazo. Trata-se de sonhar e apostar nos sonhos. Mesmo que essa aposta nos traga, como este ano, uma desilusão.

Mesmo com as desilusões, só porque sonhamos, conseguimos estes grandes nomes, enquanto vocês vivem na eterna política realista do “custo zero” que vos serve em bandeja de prata (não de ouro, de prata, sempre) o segundo lugar e a satisfação com esse resultado.

Vale a pena sonhar, valem a pena as desilusões, porque sabemos que a qualquer momento estamos de volta ao que fomos.

Por isso cito outra vez: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.”

ENB!!

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